dulcora

drops de artigos com sabores diversos: hortelâ, morango, aniz, limão, abacaxi. só para lembrar que as aftas ardem e as hemorróidas doem. e que a vida, não é um filme de matinê.

Saturday, January 27, 2007

em obras

neste exato momento e por um bom tempo, estamos em fase de pesquisa e reedição dos textos. voltaremos sim. mas vai demorar um pouquinho. espero que você me espere com eu espero lhe ter de volta.

Sunday, November 05, 2006

footing, à beira mar de olinda ou bronhas das duas uma

desde os tempos em que minha barriga de garoto de campo grande conheceu farpas tetânicas de uma prancha feita à mão, com madeira de cachote, para surfar em del chifre, que afastei-me da orla de olinda. exceção feita a algumas investidas em casa caiada. no trecho em frente ao antigo quartel da PE. tempos em que o pedaço rivalizava com boa viagem nas parcas possibilidades de um garoto, que vinha à pé dos bailes do américa em casa amarela, para acordar na areia com cheiro de montilla e cara de pirata, conseguir botar as mãos nas adolescentes de classe média – sim nos 70´s havia classe média – tempo em que as gostosinhas eram mesmo gostosinhas: não tinham celulites, estrias e muito menos lábios botocudos e parachoques de silicone. quando nada, conseguiamos o famoso material para o dever de casa: em mãos de cerol, punhetas azuis-marinhas, orgasmo de gaivotas.

dizem que quando começamos a escrever assim é o mais puro sinal de que estamos ficando velhos. pode ser, pode ser. mas, sinal dos tempos, se elas continuam olhando – e não você - é porque o tio sukita ainda é ou tem chances de mordiscar alguma tampa de crush. que me desculpem os não-pernambucanos que vão ficar voando com mais esta.

mas o footing em pauta é outro, que certamente as minhas masturbações juvenis não interessam a ninguém. pelo menos por este jorro de agora.

nos útimos, vinte e cinco, trinta anos, como de resto, o recife, e seus bairros, a orla de olinda, trecho recém saido do carmo a casa caiada conheceu a mais fétida decadência. a ponto de nem os ratos que frequentavam a orla repleta de bares – o mar ainda não havia avançado a tal ponto – terem partido para outra locação.

a prefeita luciana, pecebona quase sorriso mara maravilha, privilegiou a orla com um mixto dum projeto de recuperação/implementação de nova arquitetura que busca recuperar a área para os olidenses e não só. apesar das marcas de deterioração irrecuperáveis nas residências e pequenos edifícios que já foram varandas privilegiadas.

acontece que a oposição do mar a prefeita – sera porque ela é do PCB ? não faz só espuma e ameaça, aliás, ameaça não, já coloca por terra trechos e trechos da obra que sequer pode ser inaugurada. o mar já derrubou pedaços diversos dos bancos murada que formam um senta-cadeiras ininterrupto, contíguo a orla em toda a sua extensão, acompanhado de quase oásis de mini-jardins com bancos próprios e aqui e ali aparelhos rústicos de ginástica, somados a alguns boxes e talvez wcs públicos.

coisas da política de qualquer partido no brasil, em que pese a simpatia pelos cachinhos ideológicos da prefeita, ao que tudo indica projeto feito nas coxas de sereia. não prever que mesmo antes de ficar pronto as marés fariam estragos que a lua cheia corroboraria como impraticáveis às boas intenções, é rasgar a certidão de olidense. isso sem falar na maluquice de escadas de madeira que permitem acesso à beira mar, com madeiramento de terceira – certificados pelo ibama ? – que as ondas já trataram de desfolhar, arrancar degraus, enquanto o mar já afogou quase metade delas. porém, sem exterminá-las por completo. transformando-as em armadilhas vietcongs, determinantes para acidentes que podem complicar a vida de crianças e adultos muito mais que as farpas de um prancha de caixote de madeira. sem falar dos trechos fofados de calçada que podem ruir a qualquer momento engolfando papai,mamãe,titio,filhinho com velocípede e empregada – ainda ? – junto com poodle da família.

e já se passa um par de anos de mar derruba, operários levantam, refazendo pela segunda, terceira vez, o que o mar vai derrubar de novo. quero acreditar que minimamente teria sido feito um estudo que por mais primário que fosse anteciparia o que na prática está custando uma verba que não terá folego para fazer frente aos avanços do mar. e olha que nem tivemos ressaca pra valer ainda. foi feito ? e ? não foi feito? uou!

nem vou falar do estado dos buracos da rua dita avenida que lhe acompanha.

estaria a prefeita punhetando a orla, numa quase cópula de obra de fachada, com fins eleiçoeiros? que pelos vistos só vai dar calos na mão, num gozo d água arrombando pedra que não se faz dura? e que findará por deixar a beira-mar ainda mais à deriva ?

pelo visto, não fui só eu que me aproveitei de olinda para isto.
acontece que “pruma” prefeita, o dever de casa é outro.

(originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com)

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Sunday, October 29, 2006

carijó ou vanguarda não se assobia

tempo de reprises. band, com o live aids eight registra duo mccartney bono vox in sergeant peppers lonely hearts club band. fiquei com dó maior do bono. levou um banho de cuspe do quase setentão mccartney.

paul, agora que não tem mais o rosto bonitinho – precisa ? – pode demonstrar quem é que sempre teve gogó de verdade e não de feira.

aos pés de mccartney bono não passa de galo carijó. elton john, é outro injustiçado, sempre lembrado por sua homossexualidade, óculos, perucas, etc. quem mais atento sabe do que estou falando. claro, não se pede atenção a quem escuta robbie wiliians, mas só para espevitar, digo que junto de elton, robbie é um franguinho.

no mais o live aids mostra o quem muita gente já sabe: que os dinossauros ainda não tomaram conhecimento do fim dos tempos. mas não por culpa ou forçação de barras. é que a nova geração é tão ruim, tão déjà-vú, que tá explicado até o revival dos anos 80, que tanta gente espinafrou como de safra baixa, no rock nacional então nem se fala.

a julgar pelo sucesso das coletâneas, livros e até jogos, os caras estavam a frente do seu tempo.
ainda bem que não nasci ontem.

In tempo: a bigger bang, rolling stones, é a turnê mais lucrativa da história dos eua, confirmando o rastro de eagles e pink floyd em anos anteriores. money! ainda se lembra ou conhece o refrão ?

(originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com em 3 de janeiro de 2006)

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Wednesday, October 25, 2006

miopia crítica

o exercício da crônica, no panorama do jornalismo brasileiro, foi sempre visto como atividade menor, como "menor" é vista a crônica como gênero literário. imprensada entre sua indefinição, quanto aos limites de sua similitude, entre o universo do conto, e a fantasia das novelas, por conta da sua "falta de espírito", mais realista em sua invenção, foi sempre neglicenciada como modo de abordagem pertinente a assuntos mais "sérios". salvo a intervenção de espíritos mais abertos, sua produção e, principalmente, sua abordagem crítica, ou mesmo a abordagem sob forma de despretencioso registro, foi varrida das páginas literárias do país, notadamente no círculo literiário, em que a inteligentzia (ou burritizia), ocupa vaidosamente o ofício. resta pois a lembrança de fernando sabino, rubens braga o C.D.A., como artíficies de croquete demasiado romantizado em sua produção, perpetuando-se amnésia a demais autores do gênero, bem como o esquecimento, quanto as suas possibilidades de invenção, que não o saldo negligenciado de uma produção percebebida como intervalo das calosidades do batente ou sobremesa de outras meditações, se as "honras do ofício" das demais produções da prosa.

entretanto a desonra não pára aí. ái de nós, cronistas, objetos de, e cronomusicófilos, se o patinho feio(a crônica) tem outro míster senão exatamente como música, ela: a música. tememos que, apesar dos espíritos abertos as crônicas, estes, muxoxeiam, se estas(as crônicas) descobrem, vem a ser sobre o universo musical brasileiro, notadamente dos últimos quinze anos. conseguiremos inscrever-mo-nos, em meio ao espaço ricamente cultivado de outras loquacidade críticas ?

se respondida a pergunta, virá à tona estranhamento ante a "sobranceira" crítica musical praticada na imprensa pernambucana. ausência completa de elementares sucos gástricos para esta digestão e posterior expelimento, seja desde os proeminentes engasgos lukacsianos, a uma crítica dita criativa - e não didática de ismos e istmos de outros interesses - que levem em conta uma semanálise que não fique à reboque dos fatos. registro que veiculado no espaço jornalístico atual, de há muito tempo, releases, aspeados sob o comodismo trambiqueiro de colunistas brilhosos ? nem ao menos no forjamento de seus pseudônimos compactuados a seus prenomes.

a primeira característica de nelson motta é o seu quê de ar juvenil e sua paixão sobre aquilo que aborda - necessária à crônica mesmo nos velhos mestres, quiçá pudéssemos ainda contam com a quinta-essência de renato carneiro campos - mantida através do exercício crítico de linguagem, e crítico não somente como traduzem os títulos- de música- mas de costumes, cultura, ou melhor dizendo, do que fosse humano através da escrita lançada à linguagem musical. a falta de ranço, o fígado bendito, eis a maior qualidade do nelsinho.

carta das paixões e das ausências abre o livro e é prenúncio de algumas lições. nelson motta adverte e ensina" detesta quando o chama de crítico musical, pois não pode ser ao mesmo tempo o que fiscaliza e o que ama". saída pela tangente ? motta reconhce que seu ofício exige umpoucao de calma e um minuto de alma, vibrante e entusiasmado com a possibilidade de escrever sobre o que ama, o que decerto ele faz sem a petulância de tarik de souza, a decoreba adjetiva de ezequiel neves, a melosidade irada de ana maria bahiana, ou a suprema pretensão escolarizada de sílvio lancelotti. dento da "humilde" possibilidade das crônicas, aqui e alí, nelson motta vai desmistificando a boçalidade dos vanguardeiros destrutivistas vivificando a chama dos artistas brasileiros, principalmente os de sua geração, golpeada pela queda de jango em 64, renegados pelo "melhor" do escridurado pensamento que habita redações e cercanias, dominadas, , ora com uma academicismo crônico, impostado ao desprezo no tratamento das questões ora divididas e irmanados em inoperância entre a porra-louquice viscosa e a babaquice corrosiva da ciranda engagê.

é imperativo ainda acrescentar que escrever bem é sobretudo fugir a monolítica tábua da verdade utilizada pela crítica. urge que esta seja feita numa lingaguem inter-e-entre-la(n)çadora, dispondo-se a abordagem múltiplas, que revelam não só sinal de inteligência, mas de honestidade,a boa prática nas análises das diversas produções do gênenro humano. é muito tímido ainda, o vocabulário semântico dos profissionais da crítica, que só se preocupam com os referencias estéticos e teóricos em voga, esquecendo-se do rico filão da metáfora e da tranposição artística, que descreve e aprofunda de maneira muit mais esclarecedora -e por vezes estarrecedoras - o movimento, dia sim crônico e dia sim não , das mentes e corpos no planeta do humanos.

música, humana música, promete isso, crônicas. não fenomenais revelações em sua leitura, mas inúmeras tentativas de se declarar com tamanho amor ao ofício. sem transas escuras ( don´t deal with darks things, como diz bob marley)mas dizendo de forma bonita as idéias que existem em confusão nos corações anônimos de todos os cotidianos.

música, humana música. jornalismo, crônicas sobre músicos e música popular brasileira e etc. nélson motta. ed. salamandra. 1980. 132 pg. Cr$ 200,00.

(publicado originalmente no caderno de literatura do diário de pernambuco, na sexta-feira, 13 de junho de 1980 e excepcionalmente reproduzido aqui, uma vez que este espaço dedica-se majoritariamente a material publicado na net)

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Saturday, October 21, 2006

na contra-mão da cultura ou a não sinalização dela

não confundir política cultural com calendário de eventos(mário chamie)

olinda, tornou-se a primeira capital brasileira da cultura em mais um daqueles eventos-títulos para gerar proxenetas e negociatas, para desespero dos de plantão.

acontece, só pra começar, que olinda, não é só o sítio histórico. é cidade de analfabetos funcionais, letrados apenas nos letreiros de transporte público, e já lá pela hora da morte. destino incerto que faz circular aos subúrbios e áreas perifericas onde tem como vizinhos, o assalto, o estupro, o latrocínio, o assassinato, a chacina, a queima de arquivo e o iptu que não lhes tira da lama inverno após inverno. quem duvidar deve fazer um tourzinho cultural já a partir dos bultrins, via jardim brasil, rio doce e suas etapas, e mais uma dezena de bairros que não estão no mapa cultural da cidade, que lá já fui e hoje ir lá não me atrevo por falta de autorização.

se a cultura passa a ser sinalizada como um dos avanços da administração da “nova olinda”, capitaneada pela prefeita quase clone da patrícia frança, versao rede TV, deve entender minimamente que a cultura emite sinais. sinais que são símbolos culturais por conotação e denotação. sinais diversos, dos mais simples aos mais complexos, para além da cultuação demagógica dos enredos e manifestações populares. sinais, entre eles, os de trânsito.

quem transita por olinda, e estamos falando do centro histórico, para não dizerem que estou fazendo as vezes de vereador da oposição que não larga o ossos dos bairros esquecidos, não sabe se está na mão ou na contra-mão da cultura. tendo como bedéis dela, uma guarda municipal que usa o apito como palmatória.

arte em toda parte, um flash-back

novembro, sábado, vamos a olinda dar um passeio, aproveitando o pretexto do arte em toda parte para ver se descobrimos alguma coisa que não seja cópia da cópia, grosso do trabalho da maioria dos artistas de plástico que se fixaram em olinda, com raras e grisalhas exceções.

subo a rua da boa hora, e dirijo-me a rua do amparo via 13 de maio. no que fazem o mesmo casal de policiais montados em suas motos. casal mesmo. policial homem e uma policial mulher, certamente casados em suas funções. quando chego a prudente de morais, escuto apito que não é de bloco ou troça, muito embora conclua que o guarda municipal está fazendo realmente troça de mim ao, com seu ar, de pouca cultura, evidentemente, e bons modos, apontar-me o dedão e estocar: — está trafegando na contra-mão, no que imediatamente contesto, sem achar necessário o depoimento – será que estaria sendo otimista demais? dos policiais que fizeram o mesmo trajeto – e não estando em perseguição, portanto também infratores ? – de que não existe uma placa sequer sinalizando a tal contra-mão, nem na rua da boa hora, tampouco na 13 de maio, em direção a rua do amparo. aliás, estando-se na 13 de maio, exatamente na bifurcação para a prudente de morais, há uma placa inelegível funcionalmente, aos penduricalhos por um fio, que indica a contra-mão para a prudente de morais para para quem vindo da 13 de maio. suprasumo da cultura ? aviso de contra mão a direita para quem já está na contra-mão ? ah! tá bom. fica combinado assim.

a autoridade, da capital da cultura brasileira, não contesta meu argumento. tampouco convida-me a fazer o percurso, no minímo atitude de quem necessita corroborar afirmação se não sabia do fato(se não quis ir devo concluir que já sabia que não havia sinalização) mas prefere o recurso típico de meganha: — dê meia volta(só faltou o cabra)e volte por onde veio. isso estando eu já após a prudente de morais. portanto, já na rua do amparo. é claro, que ele disse isso com aquele ar de abusado, ainda mais quando contestei que não posso, sequer ser admoestado – informado sim – por estar na contra-mão, já que não existe sinalização nenhuma.

qual o quê, o guarda muncipal, ficou enfezado e fez valer a cultura da autoridade que relutantemente acabei por aceitar porque o sangue já subia-me para regiões muito pouco culturais.

fevereiro, porque devia ter posto uma placa na testa do tal guardinha municipal

ontem dia 3, propositadamente, fiz o trajeto novamente, ampliando a varredura: rua da boa hora, sua sete de setembro, ladeira da boa hora, 13 de maio. continuam sem sinalização de que o sentido é ? quem vai dizer que sim ou que não se não tem placas ? contra-mão.

parte-se do princípio que: num ano em que a cidade deve receber mais turistas ou pelo menos estarão eles sensibilizados para ver, ouvir e perceber sinais do porque olinda foi escolhida para ser capital da cultura, ao menos este sinal deveria ser dado já que, tenho certeza, não só eu fiz o trajeto como pude constatar diversas vezes.

se transitarem pela rua 13 de maio no sentido amparo e encontrarem o tal ou outros tais guardas municipais iguais aquele, vão aprender que olinda é uma cidade tão culta que não precisa de sinalização para que ser perceba o sentido das coisas e das ruas?

seria este o sinal maior da cultura da cidade? a sintese dialética do não sinal para o sinal com o sinal da autoridade vermelho, por sinal ?

com a palavra a pcebeniana chefa-mór da guarda municipal.

p.s. andando também na contra-mão ?

in tempo: estou pensando seriamente em fantasiar-me de guarda muncipal da primeira capital da cultura brasileira(mas não no carnaval, que carnaval é coisa séria) fantasia que é para o ano inteiro.

(originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com em 05 de fevereiro de 2006

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Monday, October 16, 2006

a lullaby

nos finalmentes de 2005 a rede globo nordeste soltou em preto e branco, canção de imagens sobre crianças cujo objetivo era “ persuadir, conscientizar” adultos a não “ fazer mal as crianças”.

a exploração de crianças, laboral ou sexual é o podium máximo das sacanagens que resíduos humanos mal crescidos perpetram contra ainda pedaços de gente, fadados a tornarem-se pedaços de merda por outros pedaços cacifos.

a tal canção, cantada, e presumo composta por, nando cordel, pedia e seccionava na primeira pessoa, em forma de súplica very light, a interrupção do abuso da inocência, do estupro dos sonhos das crianças cuja inocência lhes é retirada à forceps, quase que literalmente. e, blá.blá.blá, todas aquelas coisas que todo mundo sabe mas que cada vez mais menos gente pratica.

foi de lascar ou como diria o enfêrmo, que coisa mais punk. por isso mesmo dedico mesuras cada vez mais ao ao criador do “ de boa intenção o inferno tá cheio”.

achar que uma canção algodão doce produz algum efeito, para além do aplacar da consciência de alguns; da satisfação do comprometimento com o “marketing societário” de outros e pelo meio algum esperto que vendeu a idéia como plano b de oportunidade, é inocência que não deveria ter espaço se a questão é estar realmente comprometido com o bom combate.

é claro que para a turma do bem-bom, serei eu mais um da turma do contra que só critica e nada faz. imagine só, tão singelo apelo, embalado por lullaby cordelizado, abordado de forma quase-singela. pois, o problema é justamente este. os que fazem tudo aquilo que a música e suas intenções pede pra não fazer, continuarão fazendo, fazendo da mesma fundo musical, vinheta ou B.G de resguardo, substituindo outras musicas de trilha e corte.

que nando cordel faça as suas marchas da paz, apesar do paradoxo da conotação bélica de marchar e do desgaste de iniciativas do tipo, menos mal. menos mal ainda seu trabalho na “fundação do amanhã”, que cada dia pede mais e melhor gestão, de tudo.

agora ventilar canções que estão bem abaixo do melhor que o compositor já foi, acaba, para além do efeito de estilo, por ser uma exploração das crianças mal resolvida.

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Thursday, October 05, 2006

mayor zen ou summer breeze ?

propaga-se de que o prefeito da cidade do recife, joão paulo, é um ser adepto da meditação, contrapondo-se isto, e de certa forma, até com preconceito, as suas humildes origens, filho de cobrador de ônibus que é. profissão, aliás, em extinção. seja pela obsolescência programada seja pela força da bala dos assaltos, tão diuturnamente impiedosos, quanto salário que ganham. novas catracas já os moem de véspera.sem fugir da mira, só mesmo um prefeito zen pode aguentar rios de merda cruzando a cidade, destacando canal da agamenon magalhães, donde hoje nem moleques atrevidos se atrevem a mergulhar. ou, canal que corta piedade, boa viagem, cujo nome me escapa agora. como escapam a bosta que lhes desagua. oriunda de cus de luxo que habitam edifícios e condomínios classe a. que, provas cagadas, são uma verdadeira bosta. e, guentando fedor disto, fazer alarde publicitário da sua administração donde falta muito papel higiênico. o cheiro proveniente dos canais fazem os de veneza – recife não é a veneza brasileira? vista de cima, de cima – parecerem jorros de chanel 5, a céu aberto.maré baixa, maré alta, a bosta oscila num vai e vem que junta-se a das cloacas das favelas que ficam acima abaixo, promovendo ao que parece a única miscigenação democrática entre a elite derrocada – mas que o espítito de casa grande e senzala recusa-se a comportamentalizar – e a ralé que literalmente arca com o peso da monocultura da merda que lhes foi enfiada goela abaixo pela descendência da hereditária capitania do leão do norte.fede, prefeito. fede. maleita que nem a propaganda, que também fede, consegue sequer disfarçar. não falando das doenças, que não podem ser curadas pela mudança de foco, como se vivessemos numa cidade de cartões postais.tampouco a meditação, que dizem, eleva o espírito humano a ausência de tudo, até das merdas da vida, dura que é ser praticada, ainda mais quando a bosta ferve ao calor do verão recífilis.se da lama, nasce o lotus, dos canais de recife, pensados pelos holandeses para outras práticas? borbulha o escárnio que gargalha mais fruto da prática contemplativa do que pelo sorriso do edil que nos sorri de leve? como se de monges fosse ? alguem esqueceu-se de dizer para o apóstolo da meditação joão paulo que meditar, é, antes de tudo, mais do que agir e reagir, ato de interagir, senão com os músculos, com o cérebro e, se com o espírito, nunca o de porco.cuidar das pessoas não é cultivar o imobilismo contemplativo ante o wahala desfiado em bosta, pela força da meditação? elefante visto como formiga .a população vaisesica, ou não, gostaria de ver o prefeito medidando a beira dos canais. respirando fundo, como convém aos pranas.rala, a consistência dos argumentos da melhoria da qualidade de vida no recife, já anda na bôca do povo, das margens e dos opostos, a procura de outros canais de resolução que não coabitem com seu meio. para eles, o incenso da meditação é outro, que em nada lembra jasmim.mayor zen ou summer breeze ?

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